quarta-feira, janeiro 21, 2009

simples, assim

sempre disposta a encarar um tapa mais forte. pois, assim, só assim, tenho como me desnudar, me despir. é da minha maior fragilidade que eu retiro minha maior fortaleza. a escrita.

terça-feira, janeiro 13, 2009

A Segredo da Borboleta

Laura sentia-se estranha naquele dia. Desde o momento em que despertara pela manhã sabia que alguma coisa estava para acontecer. Remexeu e remexeu em seus pensamentos de 10 anos para ver se encontrava alguma razão para tudo aquilo, mas nada. Na verdade, até achou muitas coisas. Lembrou que pela manhã tinha comido bolo de chocolate que, definitivamente, era um dos melhores sabores do mundo. Foi então que se deu conta de um fato. Um fato realmente grande. Tão grande que a professora tinha contado isso para ela na aula de História. O dia em que o Brasil fora descoberto. O descobrimento do país onde ela morava. O lugarzinho onde estava a casa dela nessa imensidão da Terra. Ela não sabia que tamanho tinha a Terra, mas com certeza deveria ser enorme. Mas o que realmente a deixava intrigada era esse tal de Cabral. Que homem era essa que tinha descobreto um país todo? Quem ele era, ela não sabia, mas ela sabia que ele deveria ser importante, porque ele era dessas pessoas que se vê nos livros da escola, nos livros da biblioteca, na internet.

Embalada por essa idéia, Laura saiu a caminhar pelo quintal de casa. Pensava que, se Cabral fora capaz de descobrir um país inteiro do outro lado do mundo, ela, uma meninda de 10 anos, conseguiria descobrir alguma coisa também, nem que fosse no quintal de casa. Olhava com atenção para as plantas, para as pedras, para as flores. Essas lhe pareciam coloridas, bonitas, mas não dignas de descoberta, até porque se estavam no pátio da sua casa, a sua mãe é que as teria descoberto, já que tinha sido sua mãe que as havia plantado. Foi quando, por um segundo, viu uma cena que lhe chamou atenção. À princípio não sabia o que era, então precisou se abaixar e ficar um pouco mais pertinho. Achou estranho. Parecia uma pedra, algo que nunca tinha visto. O estranho era que parecia que aquilo ganhava vida. Continuou a observar. Espantou-se! Aquela suposta pedrinha não era bem uma pedra, era como que uma capinha, uma bolsinha que estava se abrindo. E para a surpresa dela um colorido surgia de dentro. Uma asa? Seria aquilo uma asa? Sim! Era uma asa de borboleta! Laura havia descoberto, com seus próprios olhos, de onde as borboletas vinham. Com certeza essa era uma descoberta importante! Teria Cabral ficado tão emocionado como ela no momento em que descobrira o Brasil? Isso ela não sabia, mas sabia que tinha visto alguma coisa muito importante.

Entrou rápido em casa e foi direto à biblioteca do pai. Ela precisava ter certeza de que ninguém, realmente ninguém, tivera descoberto algo tão maravilhoso. Avistou um livro grande na prateleira. Enciclopédia. Pensou que, se alguém tivesse descoberto alguma coisa sobre borboletas antes, um livro grande como aquele deveria ter alguma coisa. Procurou borboleta. Página 432. Ficou estática. Não poderia acreditar no que via. Ela chegara atrasada. Alguém já havia descoberto o segredo, um segredo que era só dela. Laura fechou o livro triste. Ficou pensando. Quieta. Refletindo. Eis que lhe surge uma idéia nova. Se ela, que vira com seus próprios olhos a borboleta não a descobriu, teria Cabral de fato descoberto o Brasil? Teria sido mesmo ele ou outra pessoa? Isso ela não sabia. Só sabia, que naquela tarde de primavera, ela era a menina mais importante de todas, porque tinha visto uma das coisas mais formidáveis até então já inventadas: o segredo da borboleta.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Dos Ciclos, Enredos e Recomeços.

Da ponta dos meus dedos até o meu último fio de cabelo. Da última gota da saliva até o último gosto de sal da lágrima. Estou cheia. Cheia de você. Você está na minha sala. Na minha cozinha. No meu banheiro. No meu quarto. Marcas tuas ficaram. Naquele livro que você esqueceu. Naquela roupa no fundo da gaveta. Na taça de vinho que ainda está sobre mesa. Lembro de você quando um vizinho pergunta como você está. Lembro de você quando vejo o quadro na parede da sala. Lembro de você quando percebo que posso ouvir música alta sem você se chatear. E sinto saudade. Saudade de dormir abraçada. Saudade de passear de mãos dadas. Saudade de acordar no meio da noite e te ver dormir. Você se foi e um pouco ficou. Um pouco na minha pele. Um pouco no meu sorriso tristonho. Um pouco na minha rotina, agora, já tão vazia. Mas a verdade é que a bailarina ainda dança. E na próxima estação, o trem vai chegar. E na próxima estação, o fruto não vai tardar. Ainda que eu grite. Me descabele. Tire pedaços de mim. Ainda que o gozo volte. Ainda que a banda toque. Ainda que o a comida acabe. Ainda assim eu acreditarei. Acreditarei porque a gente sempre acredita. A gente sempre se entrega. A gente sempre erra. A gente sempre acerta. E um dia, quando menos se espera, nos encantamos com outros olhos. Rimos com outros sorrisos. E terminamos por beijar outras bocas. E daí, bom, daí, a banda segue a tocar e a bailarina segue a dançar. E tudo recomeça.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Das Agonias.

Para onde vocês foram? Estão de férias? Viajaram para algum lugar paradisíaco ou preferiram um lugar de frio? Já sinto saudades. Saudade dos sentimentos lancinantes. Saudades das sensações desconcertantes. Da minha desestrutura produtiva. Da minha insônia torturante. Dos meus pensamentos confusos. Quero de volta o caos. Quero de volta o intrigante e o intrincado. O complexo. O multifacetado. Preciso de uma avalanche. Uma avalanche de tudo aquilo que me dilacera.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Bússolas, Dados, Manuais de Instruções, Bulas de Remédio e Afins

A felicidade é uma das coisas mais fáceis e mais difíceis de se alcançar. É um pedaço de pão, é o início, o fim, um chão, um filho, uma folga, um sonho. Podemos percorrer um caminho longo ou curto. Podemos levar a vida inteira ou só um segundo. Ela não depende de ninguém, senão de nós.
Muitas vezes por medo ou comodidade depositamos esse ônus na conta de alguém. Talvez isso seja mais fácil. Culpar alguém porque não fizemos nosso trabalho. Passamos a bola. Se for gol, o mérito é nosso; se chutarmos para fora, o erro é do outro. A dificuldade está em nos apropriarmos de nossa vida, já que o placar desse jogo dependa da nossa escalação do time.
Esse parece ser um pensamento idiota, mas nem tanto. Viver de espera, de milagre, de acontecimentos excepcionais. Pode ser uma desculpa. E, no fim, de quem será a culpa? Da vida! Da sorte! Ou melhor, do azar! Nunca vi algo ser tão culpado. Acho que talvez só exista um único ser, entidade, depende do que você acredita, que seja mais culpado: Deus. Ainda bem que Deus é grande! Só que acho que até Ele se cansa. Até ele se apequena diante de tanta expectativa depositada sobre os ombros dele. Terá Deus ombros largos? Quem sabe. Só sei que se os tiver, também não devem suportar tanto. Não seria mais simples, então, cada um fazer a sua parte? Sim. Só que para fazermos isso precisamos nos individualizar, nos conhecermos, vivenciarmos a novidade, nos permitirmos. Decidirmos, dentre tantas opções, quais mais nos agradam. Escolhermos e percebermos o que, de tudo que existe, tem mais a ver conosco e como o modo de vida que desejamos ter.

Não nos esqueçamos, porém, do tópico inicial desse texto. A tal felicidade. Que tem a felicidade a ver sorte, azar, Deus, escolhas? Tem tudo a ver! Porque, bem ou mal, todas essas coisas são alguma espécie de subterfúgio de que nos utilizamos para não a encontrarmos. Precisamos nos conhecermos bem para sabermos qual o caminho mais adequado a tormamos. Eu não disse caminho mais difícil, mais fácil, mais longo ou curto. Disse mais adequado. O modo como faremos esse caminho também é atribuição nossa. Nada de jogar isso no colo de alguém.

Pode ser que eu esteja sendo muito dura ao defender esse ponto de vista, ou quem sabe, eu esteja me utilizando do "meu" conceito de felicidade. Pode ser que você tenha o seu, e esse seja muito melhor. O fato é que não existe receita de bolo ou manual de instruções. Muito menos bula de remédio onde constam as indicações e os efeitos adversos desse ou daquele modo. É, acho que já é hora de deixarmos de lado as bússolas e os dados, para nos utilizamos de armas mais poderosas: o sonho, a persistência e o desejo.

sábado, dezembro 27, 2008

Meu Amor

Se você quer ser meu amor, que lindo amor eu teria. Se quer assim, chega perto e diz, que tem saudade. Que tem um olhar carinhoso, um abraço gostoso, um pensamento aberto. Abre a boca e recebe o beijo demorado, a mão que por ti passeia. Fala com sua voz rouca em meu ouvido, sente minha pele e toca minha alma. Completa-me. Conta como foi seu dia entre risos, pisca olhando para mim, ama-me como se fosse a última vez. E em cada ausência sua, sentirei falta do seu cheiro, mas por toda minha vida saberei que é uma eterna desventura estar ao seu lado. Canta à toa, infinitamente, porque não me interessará o tempo, as horas, as ruas, as estações. Depois de ter você, quero ser somente sua, ainda que eu não sabia como, onde, quando. Caminho na estrada, escrevo para ninguém. Não lembro onde deixei meu barco, minha rota que o destino me deu. Espero. Espero que não me deixe sem seu beijo. Sem seu jeito. E entre nós há o desejo. Entre nós há o momento. Momento em que eu te quero. Quero o nosso amor. Que segue como um rio. Sem ponte. Sem limites. Que vai além de nós.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Da Sabedoria.

Quando as saídas parecem ausentes, é melhor se comportar como se tivéssemos quatro pernas em vez de duas, para que mantenhamos os pés firmes e seguros de onde vão. Precisamos agir um pouco menos com a cabeça e mais com o coração, porque ele até pode se enganar, mas ele tem muito mais conhecimento para lidar com emoções fortes do que toda biblioteca que nossa mente é capaz de guardar.